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05 de maio de 2006

Velas, cabos e sorrisos

No meio de cabos, escotas e velas, um detalhe reapareceu no Brasil 1: os sorrisos. Esquecidos no fundo da bagagem desde que o time brasileiro sofreu uma série de contratempos a caminho da Austrália, na segunda etapa da Volvo Ocean Race, eles voltaram aos rostos da tripulação. Culpa do segundo lugar na regata local de Baltimore, no dia 29 de abril.

A mudança de humor da equipe foi notável. Antes da regata, os rostos estavam preocupados. Afinal, o Brasil 1 não subia ao pódio desde dezembro. Apesar do astral, sempre alto a bordo, o clima era de apreensão. O copo estava meio vazio para o Brasil 1. Depois desse segundo lugar, que diferença. Gargalhadas a bordo, conversas animadas. O copo, de um dia para o outro, ficou meio cheio. Nada como um bom resultado...

E não só para quem está dentro do barco, mas para todos que têm alguma ligação com o time. “Estávamos em um ponto em que um bom resultado era importantíssimo. Resgatamos um pouco a confiança na tripulação e no barco. Renovamos as esperanças não só da tripulação, mas de toda a equipe”, diz o comandante Torben Grael.

Uma prova disso é o neozelandês Stu Wilson, o coordenador de velas do Brasil 1. Antes da regata do dia 29, Stu estava pessimista. Não tinha certeza se o novo balão, que veio da Nova Zelândia, ficaria pronto. Até agora, não conseguiu aproveitar Annapolis, a cidade onde viveu por dois anos, quando se preparava para a última Whitbread, em 1997, quando defendeu o time da Baía de Chesapeake, o Chessie Racing. “O Stu? Trancado na veleria preparando as velas para a etapa”, avisa o timoneiro André Fonseca.

Outra mostra do copo meio cheio é a injeção de confiança que vem mostrando nosso Marcelo Ferreira. Tudo bem que o regulador de velas jamais perde o bom humor, mas a confiança está nas alturas. “A quinta colocação não é a nossa posição, não! Temos de estar muito acima. Olha só para a regata de sábado, o que fizemos. É disso que somos capazes”, afirma o bicampeão olímpico, num tom que tem se tornado cada vez mais freqüente em suas conversas.

Para comemorar a mudança de ares, os brasileiros estavam atrás das famosas montanhas-russas norte-americanas. Na sexta-feira, dia de folga, chegaram a ir para um famoso parque de diversões próximo a Washington. Deram de cara com as portas fechadas. Tudo bem, afinal, a Volvo Ocean Race já é uma montanha-russa alta o bastante!

Rajadas

- Por duas semanas, a Inner Harbour de Baltimore acolheu os veleiros e fãs da Regata, nesta que foi a parada dos recordes de público, segundo a organização da Volvo. Oficiais de turismo do estado de Maryland estimavam que meio milhão de pessoas participariam da celebração da regata em Baltimore e Annapolis. Só no festival náutico de Baltimore, no fim de semana da in-port race, 350 mil pessoas estiveram presentes, superando todas as expectativas.

- O proeiro Andy Meiklejohn, ganhador do prêmio de bravura no mar da última perna, leva sempre o seu i-Pod nas etapas. Segundo o velejador, nada como ouvir música para relaxar após os turnos. O comandante Torben Grael também leva o seu.

- Joca Signorini e Marcelo Ferreira anunciaram em Baltimore que vão velejar juntos na classe Star. Os dois vão aproveitar o tempo para treinar. Joca se prepara para a classe Finn nas Olimpíadas de 2008, mas quer lutar por vaga na Star em 2012. Já Marcelo vai aproveitar para cair na água enquanto o parceiro Torben Grael está disputando a America’s Cup em Valência, na Espanha.

- O carioca Lucas Brun foi confirmado na tripulação do ABN Amro Two para as duas próximas etapas da Volvo. É mais um brasileiro na tradicional regata de volta ao mundo.

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