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09 de janeiro de 2006

Não desistimos nunca

Foto: Bruno Doro

Na segunda noite da perna entre Cidade do Cabo, na África do Sul, e Melbourne, na Austrália, da Volvo Ocean Race, o Brasil 1 teve uma prova do que os mares mais perigosos do planeta são capazes. Enfrentando ventos fortes e ondas perigosas, fomos trombando com onda após onda. Mesmo com todas as precauções da tripulação, algumas foram particularmente duras com nosso barco.

Pela manhã, Kiko Pellicano encontrou um dano estrutural sério e o comandante Torben Grael deu a notícia mais difícil desde o início do projeto: estava voltando para a terra para consertar os estragos.

Neste momento dramático, nossa equipe mostrou otimismo. Após um dia velejando com cautela, chegamos a Port Elizabeth, na África do Sul. Horacio Carabelli, nosso diretor técnico, foi rápido ao afirmar que poderíamos continuar velejando.

Foi com essa confiança que nossa equipe provou que desistir não é uma opção. Ao anunciar que iríamos disputar a Volvo Ocean Race, assumimos também o compromisso de completar a volta ao mundo velejando, completando todas as etapas, sem viajar de navio ou avião. Vamos, sim, consertar o barco na África do Sul e completar essa segunda perna.

Knut Frostad, um norueguês que já é quase brasileiro, captou exatamente esse espírito: “Em 12 anos que disputo essa regata, nunca abandonei nenhuma etapa e tenho muito orgulho de ser parte dessa equipe brasileira, que não tem nenhuma intenção de desistir. Vamos terminar o que começamos. Queremos dar a volta ao mundo e completar essa perna velejando, mesmo que isso signifique pouco tempo para descansar em Melbourne. Mentalmente, essa será a perna mais difícil de todas para todos nós”.

É justamente pelo aspecto moral que é tão importante velejar até Melbourne. Quando foi confirmado que teríamos de voltar para terra, todos se abateram. Dos velejadores à equipe de terra, que dedicaram a maior parte dos últimos 12 meses a esse projeto. Por isso, nas palavras do nosso comandante Torben Grael, “nada melhor para resgatarmos o espírito de animação brasileiro do que chegar velejando à Austrália”.

Rajadas

Foto: Hector Etchebaster

- Nada como um bom churrasco para garantir o moral do time. O Brasil 1 tem a receita certa e na noite da sexta-feira a tripulação se juntou à equipe de terra e fez uma confraternização, regada a carne e cerveja. Já virou tradição do grupo nesta Volvo Ocean Race, em todas as sextas que o grupo consegue se reunir.

- Com problema na quilha, o Ericsson teve de abandonar a segunda perna. Velejou até Port Elizabeth e foi embarcado num navio para Melbourne, na Austrália. Esta é a segunda vez que o defeito se apresenta. Ele chegou com este problema na Cidade do Cabo e os técnicos estão quebrando a cabeça para tentar resolver a questão.

- As dificuldades enfrentadas pelo Brasil 1 e Ericsson nos últimos, aliadas aos fortes ventos e ondas grandes dos mares do Sul, assustou um pouco os demais integrantes da flotilha, que segue para Austrália. Os cinco barcos restantes velejam com cuidado, todos abaixo da velocidade do vento, evitando o confronto maior com a raivosa natureza do Oceano Índico.

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