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24 de março de 2006

Tempo sem tempo

Imagine uma pessoa há oito meses longe de casa e que partirá, em breve, para mais alguns meses de viagem. Essa pessoa volta apenas para abrir as janelas e deixar as suas coisas respirarem. Ler a correspondência e pagar contas. Comparecer apenas aos encontros mais urgentes. É isso justamente o que os tripulantes do Brasil 1 vivem nas últimas duas semanas.

Foram oito meses viajando. Nesse período, o barco deu a volta ao mundo, venceu, perdeu, quebrou e superou limites. Agora, no Rio de Janeiro, o time brasileiro passa rapidamente por sua casa antes de encarar o final da aventura da Volvo Ocean Race. Nesse retorno, falta tempo para tudo.

Tudo bem que o time, finalmente, teve algum tempo para treinar. Mas o tempo foi suficiente apenas para isso. Foram dezenas de amigos para reencontrar. Uma série de patrocinadores para visitar. Uma porção de jornalistas para falar. Resumindo, o dia precisava ter 48 horas para cumprir a agenda básica. Exatamente como na Espanha, quando o time correu com peças que não chegavam dos fornecedores, ou na África do Sul, em que o barco passou por uma série de mudanças. Na Austrália, nem é preciso dizer, descanso foi palavra banida.

A agenda diária começa às 7h30 da manhã, com os velejadores na academia. Às 10h, a base brasileira já fervilha, com pessoas correndo e trabalhando por todos os lados. Às 12h30, normalmente, o barco vai para água. Depois do treino? Mais compromissos, com amigos, com patrocinadores. Sem esquecer das entrevistas. São dezenas de jornalistas tentando falar com a tripulação. Com o comandante, então, o número cresce ainda mais. Isso significa câmeras e mais câmeras no píer, focando no Brasil 1, atentos a cada assobio dos velejadores.

Uma situação que se repete diariamente exemplifica esse estado caótico. A cada vez que o comandante do Brasil 1, Torben Grael, anda pela Vila da Regata, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, acontece a mesma coisa. A cada dois passos para frente, ele dá um para trás, para tirar uma foto, assinar um autógrafo ou simplesmente dizer “oi” para os milhares de fãs que passeiam por lá. Às vezes, ele demora até 40 minutos para completar os 100 metros entre o píer, onde o Brasil 1 fica atracado, até a base do time, no parque de contêineres da Volvo Ocean Race.

Mesmo assim, todos estão felizes. A vela nunca foi tão popular, os velejadores nunca foram tão conhecidos. Eles só precisam agüentar essa agitação por mais uma semana. Afinal, depois de domingo, dia 2 de abril, eles terão calma novamente. Serão dez tripulantes, um barco e a água salgada, por pelo menos mais 20 dias.

Rajadas

Lotação completa – Faltando menos de uma semana para a partida dos barcos da Volvo Ocean Race para Baltimore, nos Estados Unidos, a Vila da Regata, já recebeu mais de 70 mil visitantes. Até o dia 2 de abril, na largada para a quinta perna, espera-se 150 mil pessoas na estrutura que tem 19 mil metros quadrados e conta com 1200 pessoas trabalhando diariamente para garantir as atrações para o público.

Celebridades – A Vila da Regata recebeu a visita de personalidades de diversas áreas. A princesa Vitória, da Suécia, almoçou na sexta-feira com a equipe do Ericsson e passeou pelos estandes da Vila. O vocalista do Cidade Negra, Toni Garrido, também esteve na Marina no mesmo dia e foi logo cercado por dezenas de crianças ávidas por autógrafo.

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