
28 de abril de 2006
Orgulho de ser brasileiro

Na semana passada, os velejadores do Brasil 1 estavam andando pela Vila da Regata, observando o porto de Inner Harbor, no coração de Baltimore, nos Estados Unidos, quando uma grande bandeira brasileira começou a tremular. Espantados, eles procuraram o navio que causou tanto espanto. Admirados, eles perceberam que o Cisne Branco, navio veleiro da Marinha do país, tinha acabado de chegar aos Estados Unidos.
A bordo do Cisne, a reação foi a mesma. Assim que os marinheiros chegaram ao porto, foram logo perguntando onde estava o Brasil 1. Ao ver os velejadores, que estavam dando a volta ao mundo, comemoraram. Dia a dia eles acompanham, pela internet, as aventuras do barco brasileiro na Volvo Ocean Race.
Além da admiração mútua, o que não falta entre o Brasil 1 e o Cisne Branco são as semelhanças. Os dois barcos são os mais conhecidos do Brasil. O veleiro que está disputando a Volvo é o mais moderno já construído no país e está entre os mais rápidos no mundo. Já o veleiro da Marinha é o mais moderno “Tall Ship” (barcos feitos à semelhança de barcos antigos) do mundo, feito em 2000 para as festas dos 500 anos do descobrimento.
Na sexta-feira, as duas tripulações trocaram visitas. Um grupo de 17 dos 52 marinheiros do Cisne Branco foi conhecer o Brasil 1. Antes de embarcar, as perguntas eram mais técnicas, sobre construção por exemplo. Após entrar na cabine do veleiro, todos ficaram espantados. As paredes pretas, o calor e a falta de conforto impressionaram. “Imagine ficar aqui por dez dias? E pensar que nós reclamamos de passar uns dias no Cisne Branco”, disse um deles.
A reação foi exatamente a oposta quando os velejadores foram ao Cisne Branco. Ao mostrar as cabines, com beliches e até televisão, André Fonseca foi rápido. “É, acho que, se tivéssemos algo assim no Brasil 1, não teríamos tanta pressa nas etapas”, brincou.
O humor continuou na sala de dessanilização. Enquanto a água bebida no veleiro da Marinha é filtrada diversas vezes e os marinheiros não sentem a diferença entre água doce e a dessalinizada, no Brasil 1 é bem diferente. “Eles garantem não sentir a diferença. Se eles fossem beber água no Brasil 1, eu garanto que eles iriam sentir”, disse Fonseca.
O encontro terminou com um belo almoço brasileiro, preparado na cozinha do Cisne Branco. No cardápio, arroz, filé de pescada, frango ao molho branco, farofa brasileira e um típico pirão. Depois disso, Marcelo Ferreira comemorou: “Visita ao Cisne Branco, isso sim é programa!”
Equipe Brasil 1
Rajadas

- Pavilhão Brasil – A banda musical do Cisne Branco foi a grande atração na abertura do Pavilhão Brasil, montado em Baltimore. Os marinheiros tocaram num happy hour para velejadores e empresários norte-americanos interessados em expandir seus negócios no Brasil. O Pavilhão é uma parceria do Brasil 1, a primeira equipe brasileira a disputar a tradicional regata de volta ao mundo, e a Apex (Associação para Promoção das Exportações no Brasil).
- Brunel de volta – Fora das três últimas etapas da Volvo, o veleiro australiano Brunel retorna à competição em Baltimore. Totalmente reformado e com novos integrantes na tripulação, o comandante Grant Wharington acredita em bom desempenho do barco a partir da sexta etapa da regata.
- Problemas no Ericsson - O Ericsson anunciou na última semana mudanças na tripulação. O britânico Neal McDonald volta ao comando do barco, enquanto o norte-americano Mark Rudiger substitui Steve Hayles como navegador durante a sexta e sétima pernas da regata. Ken Read (EUA) também se junta ao time, ao lado do australiano Ian Walker. O americano John Kostecki, que comandou o veleiro na quinta perna, do Rio para Baltimore, continua na equipe como tático de porto nas regatas locais, posição que ocupava até a quarta etapa.
- Torcedores velejam -O Boteco 1, a torcida organizada do Brasil 1 criada pela internet, agora também veleja. A equipe Boteco 1, formada pelos "botequeiros" Toni Freitas, Armando Faria, Oscar Castro e Sergio Neves, disputou neste fim de semana a seletiva para o Match Race Brasil.

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