16 de junho de 2006
Brasil 1, Portugal 1

O sucesso de um projeto pode ser medido de várias formas.
Reconhecimento popular, satisfação dos patrocinadores, retorno de mídia ou continuidade, para ficar apenas nos mais lembrados.
O Brasil 1 conseguiu uma proeza no país. Fez com que grande camada da população conhecesse a vela e procurasse saber o que acontecia com o barco brasileiro durante os oito meses da volta ao mundo.
O projeto alcançou retorno de mídia inédito na história deste esporte, com mais de uma centena de horas de cobertura de tevê e rádio e milhares de matérias na internet e nos jornais e revistas.
A conseqüência disso é óbvia: os patrocinadores tiveram ótima exposição e todos alcançaram seus objetivos ao apoiar a epopéia da equipe comandada pelo multimedalhista Torben Grael.
Para coroar os feitos do projeto pioneiro Brasil 1, que fechou a nona edição da Volvo Ocean Race entre os três melhores, os diretores do projeto, Alan Adler e Enio Ribeiro, anunciaram em Roterdã que já começam a trabalhar no novo projeto do Brasil 1.
E desta vez, ao invés de construir um barco, querem fazer dois. Provavelmente no Brasil, montando duas equipes igualmente competitivas. Na visão dos executivos, a fórmula para vencer a Volvo Ocean Race passa por dois barcos que treinariam um ano juntos, com duas equipes altamente preparadas.
Aproveitando a facilidade da língua e a proximidade comercial, o parceiro para essa segunda empreitada seria, claro, Portugal. Com isso, o outro barco seria chamado de Portugal 1 e, evidentemente, teria uma tripulação formada, em parte, por velejadores lusitanos.
A fórmula adotada pelo Brasil 1, com uma tripulação nacionalizada e o nome do país como marca, foi bastante elogiada pela organização do evento, que considerou a parada no Rio de Janeiro uma das melhores entre as 12 cidades que participaram desta edição, tanto pelo forte envolvimento com o público, como pela identificação do país com o time.
A décima Whitbread/Volvo Ocean Race foi antecipada em um ano e deverá começar no final de 2008 e seguir até a metade de 2009. Por isso, Alan e Enio já começaram a arregaçar as mangas para viabilizar o Brasil 1, segunda geração, e o Portugal 1, em sua primeira incursão. Querem construir os barcos no ano que vem para ter o tempo necessário de preparação.
O que era um sonho, virou realidade e agora pode estar ganhando até um filhote. Graças à capacidade e empreendedorismo de um grupo de brasileiros ousados e talentosos.
Rajadas

- A décima edição da Volvo Ocean Race deverá ter algumas novidades. O evento passará pela Ásia, provavelmente pela China, por seu potencial comercial, e talvez pelo Oriente Médio. A África do Sul poderá sair do itinerário dos VOR 70.
- O projeto dos barcos não mudaria. Apenas se tentaria reduzir os custos dos novos VOR 70, que teriam um tripulante a menos nove nas etapas e dez na regatas locais. Um dos tripulantes deveria ser, necessariamente, especialista em mídia, responsabilizando-se pela qualidade das imagens, fotos e textos a serem enviados para a organização.
- As regatas locais, um sucesso absoluto desta edição, seriam mantidas e aprimoradas. Os eventos conseguiram trazer as regatas para junto do público. Em alguns portos, milhares de barcos acompanharam as regatas locais.
- O Brasil 1 conquistou todos os seus objetivos. Chegou ao pódio em sua estréia, ganhou etapa, teve reconhecimento de todos os segmentos, revelou valores da vela brasileira, ampliou o reconhecimento mundial de Torben Grael como um dos expoentes da vela de oceano e completou os 57 mil quilômetros da volta ao mundo com um número expressivo e marcante: exatos cem dias.
