Ontem
um desafio impossível, hoje umas das maiores aventuras
do mundo.
A mais famosa das regatas de volta ao mundo começou
em um bar. Em 1971, em uma roda de amigos, surgiu a idéia
de criar o "Everest da vela", uma viagem de 27
mil milhas náuticas que levaria os marinheiros aos
limites do planeta. A corrida passaria pelas calmarias equatoriais,
por oceanos congelados e cheios de icebergs e áreas
em que as tempestades duravam semanas a fio.
A idéia estava lançada, mas sua realização
estava distante. Nenhuma outra corrida, no mar ou na terra,
exigia tanto de homem e equipamento. Nenhum outro evento
levaria a competição para áreas tão
inóspitas. Com tantos riscos, quem iria bancar um
empreendimento tão ousado?
Além disso, uma corrida dessas proporções
exigiria uma ampla rede de comunicação e apoio
mundial. Portos e fiscais espalhados pelo planeta, para
garantir legitimidade. Sem contar que, até 1971,
barcos particulares não faziam aventuras desse tipo.
Na época, menos de dez veleiros tinham conseguido
contornar, inteiros, o Cabo Horn. Uma regata de volta ao
mundo já tinha sido realizada, em 1967, com final
desastroso: dos oito barcos que largaram, só um chegou
ao final.
Com tantas dificuldades, a "maratona de volta ao mundo"
foi salva pela Marinha Real da Inglaterra. Considerando
uma corrida desse porte como uma boa oportunidade de treinamento
para oficiais, a Marinha anunciou que, mesmo se nenhum patrocinador
fosse encontrado, bancaria a disputa, em 1972.
Com apoio oficial, patrocínio privado apareceu.
Em pouco tempo a Whitbread PLC, uma das mais antigas companhias
de comércio da Inglaterra, que hoje trabalha do ramo
alimentício ao hoteleiro, deu nome à corrida,
hoje patrocinada pela Volvo.
Em 8 de setembro de 1973, 17 barcos de sete países,
com 167 tripulantes, largaram da base naval de Portsmouth,
na Inglaterra, para a primeira volta ao mundo. Surgia a
"Whitbread Round the World Race".
